Existe um conceito que, embora ainda não tenha um nome amplamente difundido no mercado, precisa ser estudado por quem quer construir algo grande: modelos de negócio agregadores — ou quem sabe, ecossistêmicos.
São empresas que não apenas crescem sozinhas. Elas criam estruturas onde todos ao redor também crescem junto. Não se trata apenas de escala, mas de expansão inteligente, que arrasta e impulsiona um ecossistema inteiro com ela. É como plantar uma árvore que dá frutos para muita gente — e não apenas para quem a plantou.
Um exemplo claro e muito próximo da gente é o modelo marketplace.
Veja a Shopee. Ao abrir sua plataforma para lojistas, afiliados, influenciadores, transportadoras, donos de pontos de coleta, desenvolvedores de software, produtores de conteúdo e tantos outros profissionais, ela se torna mais que uma empresa: ela se transforma em uma plataforma de oportunidades.
Ela permite que milhares de pessoas sustentem seus negócios, seus estilos de vida e suas famílias, baseados em um único ecossistema que ela criou e alimenta todos os dias.
E aqui vai a minha tese: a Shopee vai ultrapassar o Mercado Livre.
Sim, o Mercado Livre ainda lidera em alguns aspectos. Mas se você observar com atenção, a Shopee está se movendo com inteligência e, principalmente, com poder de agregação.
A Shopee tem copiado a Meli? Sim. Mas a Meli também tem copiado a Shopee. E não é pouca coisa.
- O sistema de frete grátis a partir de R$19 foi puxado da Shopee.
- O Mercado Livre começou a copiar o modelo de página do lojista com seguidores e envio de conteúdo promocional para essa base, algo que a Shopee já faz há tempos.
- Ouvi rumores de que a Shopee poderia implementar um catálogo interno de produtos, semelhante ao que o Mercado Livre já tem consolidado. Mas até agora, nada foi confirmado. Inclusive, uma pessoa de dentro da própria Shopee negou essa informação e disse que nunca ouviu falar disso internamente.
- O Shopee Ads, que no início operava com foco em palavras-chave manuais, num modelo muito parecido com o Google Ads, agora já conta com campanhas automáticas, no estilo que a Meli usa há tempos.
- E a Shopee está iniciando seu modelo Full, algo que o Mercado Livre já faz com maestria.
Mas, mesmo com essas trocas e influências mútuas, o que diferencia a Shopee é o quanto ela agrega. O quanto ela traz tráfego, visibilidade e oportunidades reais para quem entra no jogo.
O programa de afiliados e influenciadores da Shopee é um case à parte. Um verdadeiro exército levando tráfego para o app. As lives, tanto de lojistas quanto de afiliados, são um recurso absurdamente escalável, que mistura vendas com entretenimento e cria conexão com o público.
E se você acha que isso é pouco, ainda tem mais: joguinhos dentro do app, moedas virtuais, campanhas criativas — um marketing pensado para o usuário final e para o parceiro comercial ao mesmo tempo.
Enquanto isso, a Meli ainda parece apostar muito mais em estrutura e logística — o que é bom —, mas menos em conexão e comunidade.
A minha provocação é: se o Mercado Livre não entender o jogo agregador que a Shopee está jogando, será ultrapassado. Em acessos, em vendas, em faturamento. Não é uma questão de “se”, é uma questão de “quando”.
E você, está construindo um negócio que cresce sozinho ou um ecossistema que cresce com você?


